17 de abril de 2009
"Ser ou não ser, essa é a questão
Será mais nobre suportar na mente
AS flechadas da trágica fortuna
Ou tomar armas contra um mar de escolhos
E enfrentando-os, vencer? Morrer - Dormir:
Nada mais; e dizer que pelo sono
Findam as dores, como os mil abalos
Inerentes a carne - é a conclusão
Que devemos buscar. Morrer - Dormir.
Dormir!Talvez sonhar - eis o problema,
Pois os sonhos que vieram nesse sono
De morte, uma vez livres deste invólucro mortal
Fazem cismar. Esse é o motivo
Que prolonga a desdita dessa vida.
Quem suporta os golpes do destino.
Os erros do opressor, o escárnio alheio,
A ingratidão do amor, a lei tardia,
O rogulho dos uqe mandam, o desprezo
Que a paciência atura dos indignos,
Quando podia procurar repouso
Na ponta de um punhal? Quem carregara
Suando o fardo da pesada vida
Se o medo do que depois da morte -
O país ignorado de onde nunca
Niguém voltou - não nos turbassse a mente
E nos fizesse arcar com o mal que temos
Em vez de voar para esse, que ignoramos
Assim nossa consciência se acovarda
E o instinto que inspira as decisões
Desmaia por indeciso pensamento;
E as empresas supremas e oportunas
Desviam-se do fio da corrente
E não são mais ação. Silêncio agora!
Ó bela Ofélia! Ninfa em tuas preces,
Recorda os meus pecados"

Shakespeare
Hamlet, ato III, cena I

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